Por conta da grande demanda de metais empregados em infraestrutura, gerada pela expansão econômica dos países emergentes e, mais recentemente, pelos conflitos na Líbia e terremotos no Japão, o preço do cobre vem registrando alta acentuada nas bolsas de mercadorias de Nova York e de Londres. Entre abril de 2009 até princípio de abril de 2010, o metal não ferroso registrou alta superior a 200% e, atualmente, a tonelada do metal vale cerca US$ 9,5 mil em Nova York.
Segundo dados do Sindicato dos Condutores Elétrico, Trefilação e Laminação de Metais Não Ferrosos do Estado de São Paulo (Sindicel), a valorização do cobre estimulou o aumento de roubos do produto, o que fez com que a indústria registrasse prejuízos que, no primeiro bimestre de 2010, chegaram a R$ 1 milhão em todo território nacional. Por isso, companhias que produzem cobre no País se uniram para reduzir os furtos. O resultado foi que, no primeiro bimestre deste ano, as perdas somaram R$ 130 mil, queda de 88% em relação ao mesmo período do ano passado - média de R$ 2 mil por dia.
Mas, de acordo com o presidente do sindicato, Sérgio Aredes, a ação dos criminosos ainda tem impacto significativo no setor. "Os índices de prejuízos permanecem alarmantes, grande parte dos roubos se concentra no transporte de carga", frisou ele. "E se somarmos os furtos em redes de telecomunicação e energia elétrica, cujo nível é superior, há uma verdadeira indústria paralela montada às custas das empresas." O total das perdas contabilizadas em 2010 foi R$ 7.386 milhões, 27% a menos que em 2009, quando o prejuízo foi de R$ 10.092 milhões. Em 2008, o valor atingiu R$ 15.977 milhões.
Para o empresário é essencial acabar com os receptadores, instituir instrumentos fiscais que coíbam o processamento do cobre sem origem legal e ter controle efetivo da idoneidade dos participantes de leilões de sucata do metal não ferroso. "O prejuízo do roubo fica com as companhias, portanto, há uma movimentação por parte das indústrias para inibir e combater até quadrilhas especializadas."
Aredes afirma que as empresas vêm investindo cada vez mais na segurança das fábricas e em procedimentos logísticos. O presidente enfatizou que para as aplicações de fios e cabos de cobre não há material que as substituam, pois têm condutibilidade elétrica acima dos demais metais, o que colabora para a valorização.
Outro fator que continua a preocupar o Sindicel é o constante aumento do preço do cobre, considerado outro agravante para o desempenho do setor, pois consegue repassar apenas 13% do 30% de reajuste que o material sofreu para o consumidor.
"A média da tonelada no exterior é de US$ 9,5 mil, enquanto que em 2010 o custo não passava de US$ 7,5 mil", acrescentou Aredes, que acredita que também há um movimento especulativo incentivando o aumento.
Conforme a avaliação do diretor executivo da Siamfesp (Sindicato da Indústria de Metais Não Ferrosos no Estado de São Paulo), Oduwaldo Álvaro, o que gera a especulação é a alta demanda do cobre. "Os países em desenvolvimento precisam consumir cobre, o que é o caso do Brasil, mas não somo grandes produtores como o Chile, no caso, o maior do mundo", explicou o diretor da entidade de classe.
Somente no mês de janeiro, o País importou US$ 65,3 milhões contra US$ 29,9 milhões em exportações, gerando um déficit na balança comercial de US$ 46 milhões.
"Se a matéria-prima cresce no mercado externo, gera inflação no interno e por consequência temos um gargalo que impede o repasse para os compradores de produtos finais", disse Álvaro, que afirma haver um preço referencial no Brasil que caso sofra aumento, os chineses superariam facilmente os produtos internos com ofertas de produtos mais baratos.
Fonte: DCI (www.dci.com.br)